Uma semana no Algarve – 26/08/2020

A convite do grande amigo  Dinis Diogo passamos uma semana no Algarve pedalando e conhecendo mais da principal região turística de Portugal.

No verão europeu, as praias de água quente do Algarve são destino certo para muitos turistas de todos os cantos. Além das praias, o Algarve também é palco de uma das mais importantes provas da pré-temporada das equipes profissionais de ciclismo, a Volta ao Algarve. Esse ano, ela foi realizada em Fevereiro, pouco antes de tudo fechar e teve a participação de grandes atletas. O vencedor foi o  Remco Evenepoel.

Nosso  primeiro pedal foi para conhecer Fóia, o ponto mais alto do Algrave na serra de Monchique; chegada de uma das etapas da volta ao Algarve. A subida de 4,5 km é bastante agradável e tem inclinação média de 4%, a vista durante o trajeto é linda e ainda é possível reabastecer as caramanholas nas diversas fontes de água fresca no caminho. A chegada ao topo é emocionante. 

Nosso  segundo pedal foi pelas pequenas vilas do Algarve. Cruzamos muitos campos de laranjeiras, principal atividade agrícola da região, e terminamos o pedal em Vilamoura famosa pelos luxuosos hotéis, marina e campos de golfe.

No  último dia no paraiso nos separamos. O Fabio foi conhecer o Alto do Malhão, uma subida manhosa (como dizem por aqui) com 2,5 km e 13% de média de inclinação, que também foi cenário de uma etapa da Volta ao Algarve. Enquanto o Fabio pedalava com o Dinis, a Grasi participou de uma tradição muito bonita da família Diogo. Em dias comemorativos eles se reúnem para fazer o pão, a fabricação pode ser considerada simples mas as tradições envolvidas e a união da família para essa tarefa faz tudo ser muito especial. Ver a Dona Conceição amassar o pão, o Seu Joaquim acender o forno a lenha e participar disso tudo, concretizam o sentido da família.

Toda essa nossa viagem ao Algarve esta registrada em nossos vídeos que compartilhamos no nosso  @solaz_cc

Lisboa – Setubal – subindo a Serra da Arrábida – 12/08/2020

O Parque Natural Serra da Arrábida fica em Setubal, na Margem Sul do Rio Tejo. Podemos sair de Lisboa pedalando, cruzar o Tejo de barco e seguir à partir do Barreiro até a Serra.

Gostamos muito desse percurso porque conseguimos fazer um treino mais longo, 92Km, sem precisar pegar o carro e ainda, de quebra, passamos por visuais lindos. Depois de cruzar o Rio, seguimos até Azeitão, uma vila com muita história e destino de veraneio da corte portuguesa.

Em Azeitão é possível experimentar o premiado queijo de ovelha e diversos tipos de vinho, já que na cidade estão as cedes das vinícolas Quinta da Bacalhôa e José Maria da Fonseca. Além disso, como toda boa vila Portuguesa, tem seu doce tradicional típico, a Torta de Azeitão. Alí também é possível visitar uma fábrica de azulejos portugueses e outros tipos de artesanatos.

Depois do café em Azeitão, subimos a Serra da Arrábida, passando pelas praias de água cristalina, onde por vezes é possível avistar golfinhos passeando.

Na volta, paramos para uma degustação na Quinta da Bacalhôa e regressamos ao barco para voltarmos para Lisboa. Confira o vídeo desse pedal e se impressione com a beleza desse lugar que tanto gostamos de ir. Você pode conferir o vídeo dessa viagem lá no IGTV da  @solaz_cc

Lisboa-Évora – o bate e volta de 240km pedalando – 29/07/2020 

Depois da nossa expedição N2, começamos a pensar qual poderia ser nosso próximo destino. Decidimos pegar as nossas bicicletas pra fazer um bate-volta até Évora. São 120km saindo de Lisboa e o trajeto é majoritariamente plano. Como a viagem seria mais curta, levamos apenas um kit de roupa, contando com a sorte de que o calor Alentejano secaria tudo.

Saímos de Lisboa às 05:30h e cruzamos o Rio Tejo de barco, na expectativa de começar a pedalar bem cedinho pra fugir do calorão da tarde. Quando chegamos do lado de lá do rio, fomos surpreendidos por uma chuva que nos mostrou, mais uma vez, que o controle é só uma ilusão. Passamos por Vendas Novas, cidade natal das famosas bifanas, sanduiches de lombo de porco muito famosos por aqui. O truque da bifana perfeita? A manteiga do dia inteiro no tacho.

Chegando em Évora fomos direto para a vinícola da Cartuxa, comemorar a chegada depois de um longo dia de pedal. Passeamos pelo centro histórico de uma das cidades mais antigas e conservadas da Europa, habitada desde a pré-história, tendo sido ocupada pelos romanos, pelos muçulmanos até a reconquista cristã. Hoje, além da produção agrícola e do turismo, a universidade de Évora é importante para a economia da cidade.

Lá, ficamos no Tivoli Évora Ecoresort, um hotel que tem seu prédio principal revestido de cortiça para economia de energia e que usa painéis solares como fonte de abastecimento. 

Na volta, paramos na famosa praia da Comporta, um paraíso no estuário do Rio Sado que sempre figura entre as mais belas praias da Europa. Você pode conferir os vídeos dessa viagem lá no IGTV da  @solaz_cc

Expedição N2 – 740 Km de bicicleta, cruzando Portugal de Norte a Sul

Desde que chegamos a Portugal ouvimos falar da Estrada Nacional 2, uma estrada que cruza o país de Norte a Sul em seus 738KM de extensão. São muitas as pessoas que viajam por essa rota, seja de motorhome, motocicleta e bicicleta, então logo nos interessamos por esse percurso.

O dia-a-dia foi tomando conta, começamos a focar nos grupos que viriam pedalar conosco em 2020 e ainda não havíamos conseguido fazer essa viagem quando a pandemia do coronavírus acabou mudando os planos de todos. As reservas que a Solaz tinha foram canceladas e o sonho de viver de cicloturismo em Portugal precisaria ser replanejado.

Quando a quarentena em Portugal acabou e o ciclismo voltou a ser liberado nas ruas, em nosso primeiro pedal fomos surpreendidos com o furto das suas bicicletas e equipamentos. Foi um momento de muito repensar. Questionamos nossas escolhas de vida e as decisões que nos trouxeram até aqui. Foi apenas com o apoio dos amigos, antigos e novos que fomos fazendo nesse caminhar, que conseguimos forças para superar e readquirir o que foi levado.

Quando as bicicletas novas chegaram, com o ânimo refeito pelo carinho de todos, decidimos enfim tirar do papel nossa Expedição N2. Montamos as pequenas bagagens, amarramos tudo nas bicicletas e partimos rumo ao norte de Portugal. No dia 30 de junho de 2020 partimos de Chaves, marco zero da N2 e da nossa Expedição de bicicleta, rumo ao que seria nossa cicloviagem mais longa até então.

Foram 08 dias de pedal, mais de 740 Kms percorridos, com muita montanha e muito sol. No caminho encontramos pessoas maravilhosas, que nos recebiam em todos os lugares com palavras de incentivo e motivação e até com frutas e água gelada direto da fonte! Deixamos na N2 nosso suor, nossos sorrisos e algumas lágrimas; aprendemos sobre resiliência e ainda mais sobre parceria e cumplicidade.

Saiba que você também foi uma grande motivação para nós a cada quilômetro rodado.

Foi uma jornada incrível e ela foi toda registrada, desde a preparação até a chegada e, se perdeu algum dia, você pode conferir lá no IGTV da  @solaz_cc

Eu, ele, duas bikes e nossa cachorra

Nossa viagem para reconhecimento dos primeiros roteiros da Solaz_cc aconteceu uma semana depois que cheguei em Lisboa. O Fabio estava na Europa há dois meses, já tinha pedalado pela Itália, encontrado o nosso apartamento e mobiliado tudo, deixando nossa nova casinha pronta pra mim e pra Leela. Nesse período, lá no Brasil, estava fechando a casa e cuidando da saúde da nossa pequena para que ela estivesse bem para a viagem.

Adotamos a Leela em janeiro de 2015, quando uma amiga do trabalho a encontrou vasculhando o lixo da sua casa na zona norte de São Paulo. Ela chegou com 5 dentes na boca e o veterinário já aconselhou a fazer uma cirurgia pra tirar tudo. Ele disse que ela era já idosa, na época ele estimou uns 12 anos, e que a cirurgia seria um risco, mas aconselhava fazê-la mesmo assim, dado que ainda não estávamos apegados a ela (ou assim ele achava) e porque os dentinhos estavam todos podres, atrapalhando a bixinha. Já se passaram mais de 04 anos então, se o veterinário estava certo em 2015, estimamos que a Leela é a própria Matusalém.

A mudança pra Portugal incluiu a Leela desde o início, ela transformou nossas vidas num universo de amor incondicional e não viríamos pra cá sem ela, então fomos logo desenrolar as burocracias pra viagem, chip, vacinas, exames e documentos. Mas, faltando um mês pra virmos para Lisboa descobrimos que ela precisaria fazer uma cirurgia e que passaria a tomar um remedinho diário para o coração. Mais uma vez ficamos na maior ansiedade, rezando pra que ela aguentasse tudo que estava por vir.

Meio cachorra e meio gata, ela tinha mais uma vida pra colocar na conta, graças a Deus!

Com tudo isso, não tivemos coragem de viajar por 10 dias e deixa-la com nossos amigos em Lisboa, ficamos com medo dela ainda estar estranhando as mudanças de casa e perder a referência das pessoas também, então o jeito foi programar a viagem de uma forma que a Leela fosse junto e se estressasse o menos possível com a road trip.

Seriam dez dias de viagem, com muitas horas de pedal, então precisávamos de hotéis que não só aceitassem a pequena como também permitissem que ela ficasse sozinha no quarto enquanto estivéssemos fora. O Fabio fez a seleção e começamos a ligar pra combinar a estadia com ela.

Além de combinar com os hotéis, precisamos ajustar a logística do roteiro para não ficarmos muitas horas fora, acabamos mudando um dos roteiros pelo receio do dia ficar muito quente e ela estar sozinha no quarto. Quando os deslocamentos de carro eram mais demorados, programávamos paradas extras pra água e esticar as perninhas.

No final, a Leela foi uma atração à parte na viagem. Virou bff de uma gatinha, dividiu sua ração com outros bichos, saiu correndo por um acampamento hippie do Algarve, quase infartando os pais, virou xodó das camareiras do Alentejo, invadiu a cozinha de um restaurante numa cidadezinha no meio do nada, quase infartando a cozinheira, sofreu tentativa de sequestro pela dona de uma pousada na Serra da Estrela, enfim, se divertiu um monte, para nosso alívio e felicidade. Mesmo assim, a última vez que checamos, a programação preferida dela continua ser dormir e fazer xixi nos tapetes alheios.

O COMEÇO DE TUDO – JULHO 2019

Julho de 2019 marca o início de um novo ciclo em nossas vidas, fizemos nossa primeira viagem de reconhecimento de roteiro da @solaz_cc.

Esse passo é a concretização de um sonho de uma nova forma de viver, deixamos em São Paulo nossos empregos estáveis, nossa casa, nossas famílias, afilhados, sobrinhos e amigos para viver uma vida mais simples, com menos consumo e mais paisagens.

É com esse espírito que nasce a Solaz, sediada em Lisboa, com sotaque paulista e que tem como maior objetivo, ajudar pessoas a realizar o sonho de pedalar na Europa.

O ciclismo entrou em nossas vidas por motivações diferentes, em 2016 o Fabio começou a pedalar, estimulado pelo pai, nas ciclofaixas de São Paulo, e eu comecei porque cada vez que ele voltava do pedal ele estava mais e mais feliz e dedicava mais horas por dia ao esporte. Decidi experimentar também.

No carnaval de 2017 fizemos nossa primeira cicloviagem e não paramos mais. Todas as férias passaram a ser planejadas pra pedalar, nossa lua de mel foi um belo pedal pela Itália, nos inscrevíamos para todas as provas que dava, até pódio no GFNY rolou. Quando paramos pra refletir, vimos o quanto o ciclismo mudou nossas vidas, como nos aproximou de pessoas maravilhosas e tão fanáticas pelo esporte quanto nós e como sentimos vontade de dividir toda essa felicidade com outras pessoas.

Aí entrou a fase de planejamento, buscar a forma de morar fora do país, avisar a família, os empregos e fazer as malas. Foram quase dois anos de planejamento e estudos até desenhar o que acreditamos ser a melhor experiência de pedal a um preço justo pelas incríveis paisagens de Portugal.

Estamos chegando com muito amor por essa experiência, de coração aberto a todo aprendizado que teremos e esperando todos vocês aqui pra fazer um pedal incrível com a gente.